Julho de 2009. Comemoramos 15 anos do Plano Real. Implantado em 1994 no governo do Presidente Itamar Franco e tendo como Ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso.
O Plano Real é uma das ações efetuadas no nosso país sem dar a devida importância a seus atores. O presidente Itamar Franco foi de uma importância tamanha para que tudo desse certo. Afinal tirar Fernando Henrique Cardoso de Ministro do Comércio Exterior que tudo tinha a ver com ele e nomeá-lo Ministro da Fazenda em 1993 área que ele não fazia a menor idéia de como atuar foi um ato de coragem do então presidente.

Assim que desembarcou do Japão já como Ministro da Fazenda Fernando Henrique disse que tinha três metas para cumprir, a primeira diminuir e combater a inflação, a segunda a inflação e a terceira a inflação. O Ministro formou um time de economistas para ajudá-lo a montar o plano para tentar combater esse fantasma que afetava principalmente os mais pobres.
Fernando Henrique convidou uma equipe de economistas como: Persio Arida, André Lara Resende, Gustavo Franco, Pedro Malan e Edmar Bacha.
O programa brasileiro de estabilização econômica seguiu as seguintes linhas mestras:
Desindexação da economia
O ajuste e reajuste de preços e valores passaram a ser anualizados e obedeceriam as planilhas de custo de produção.
Era necessário interromper o ciclo vicioso de corrigir valores futuros pela inflação passada, em curtos períodos de tempo. Essa atitude agravava a inflação, tornando-a cada vez maior. Era comum acontecer remarcação de preços várias vezes num mesmo dia.
Privatizações
A troca na propriedade de grandes empresas brasileiras eliminou a obrigação pública de financiar investimentos (que causam inflação se for feito pelo governo) e possibilitou a modernização de tais empresas (sob controle estatal havia barreiras impeditivas para tal progresso).
A iniciativa privada tem meios próprios de financiar os investimentos das empresas, e isto não produz inflação, e sim, desenvolvimento, porque não envolve o orçamento do governo. Este deve alocar recursos para outras áreas importantes. E ainda, na iniciativa privada não há as regras administrativas orçamentárias e licitatórias, que prejudicam a produção das empresas e a concorrência.
Equilíbrio fiscal
Corte de despesas e aumento de cinco pontos percentuais em todos os impostos federais.
A máquina administrativa brasileira era muito grande e consumia muito dinheiro para funcionar. Havia somente no âmbito federal 100 autarquias, 40 fundações, 20 empresas públicas (sem contar as empresas estatais), além de 2 mil cargos públicos com denominações imprecisas, atribuições mal definidas e remunerações díspares.[9] Como o país não produzia o suficiente, decidiu-se pelo ajuste fiscal, o que incluiu cortes em investimentos, gastos públicos e demissões. Durante o governo FHC, aproximadamente 20 mil pessoas foram demitidas do governo federal.
Abertura econômica
Redução gradual de tarifas de importação e facilitação da prestação de serviços internacionais.
Havia temor de que o excesso de demanda por produtos e serviços causasse a remarcação de preços, pressionando a inflação. Existia também a necessidade de forçar o aperfeiçoamento da indústria nacional, o que permitiria o aumento da produção no longo prazo, e essa oferta de produtos tenderia a baixar a inflação.
Contingenciamento
Manutenção do câmbio artificialmente valorizado.
Com efeito da valorização do Real, esperava-se um aumento das importações, com aumento da oferta de produtos e aperfeiçoamento da indústria nacional.
Políticas monetárias restritivas
Aumento da taxa básica de juros e da taxa de depósito compulsório dos bancos.
A taxa de juros teve inicialmente dois propósitos: financiar os gastos públicos excedentes até que se atingisse o equilíbrio fiscal, e reduzir a pressão por financiamentos, considerados agentes inflacionários. Os financiamento chegaram ter o prazo de quitação regulado pelo governo. O compulsório dos bancos teve o propósito de reduzir a quantidade de dinheiro disponível para empréstimos e financiamentos dos bancos, uma vez que são obrigados a recolher compulsoriamente uma parte dos valores ao Banco Central.
Os efeitos em longo prazo esperado à época do lançamento do Plano Real foram:
a) Manutenção de baixas taxas inflacionárias e referências reais de valores;
b) Aumento do poder aquisitivo das famílias brasileiras;
c) Modernização do parque industrial brasileiro;
d) Crescimento econômico com geração de empregos.
Em Junho de 94 a inflação estava em torno de 47% ao mês. No mês de Julho de 94 com a implantação do Plano a inflação chegou a 6,08% ao mês, Agosto de 94 foi de 5%% e Setembro chegou a 1,5%. O Plano Real comemora em 2009 15 anos de estabilidade e sucesso no que tange a seu objetivo principal que é o controle da inflação e o fortalecimento da moeda.
O PT e o Real
Durante todo o Governo FHC, o Partido dos Trabalhadores (PT) como principal opositor ao governo, votou contra a maioria das medidas propostas no Plano Real ou que vieram a fazer parte dele, tal como o PROER. Alguns poucos artigos receberam apoio, como a previsão de destinação de recursos do FSE para o Sistema Único de Saúde, em 1994.
Em 1994 e 1998, por ocasião das eleições presidenciais, a propaganda política do PT e Luiz Inácio Lula da Silva exibiu por diversas vezes cenas que desabonavam o Plano Real, inclusive com uma nota de R$1,00 queimando, o que configuraria crime contra a ordem financeira.
Hoje vemos o presidente Lula até defender o PROER em suas viagens turísticas internacionais. Como o Lula e o PT podem defender o Real se sempre foram contra tudo? O ruim é ser contra tudo, copiar tudo e não criar nada.
Parabéns Plano Real e a todos os seus idealizadores. Há uma nova geração que graças aos esforços de todos não sabe o que significa a palavra inflação.
Fonte: Wikipédia